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Eficácia da aplicação de vacinas de marcas diferentes é analisada em pesquisa

Em março, uma paciente de Aracaju recebeu a segunda dose da vacina contra a covid-19, mas o imunizante utilizado foi de uma marca diferente em relação à primeira aplicação. O uso da vacina AstraZeneca após a primeira dose da CoronaVac se repetiu também em um caso na cidade de Aquidabã, também em Sergipe.

Esses não foram os primeiros relatos no país, mas ainda não há resultados científicos definitivos a respeito do impacto do “erro” sobre a eficácia do imunizante, mas uma pesquisa conduzida na Universidade Federal de Sergipe (UFS) promete trazer boas perspectivas.

Logo após a divulgação dos casos do estado, pesquisadores da UFS iniciaram o acompanhamento das pacientes, em um estudo que tem parceria com o Instituto Adolfo Lutz, a Universidade de São Paulo (USP), as prefeituras de Aracaju e Aquidabã, a Secretaria de Saúde de Sergipe e o laboratório privado Solim.


Resultados preliminares apontam para a possibilidade do uso de um ‘mix’ de vacinas, de marcas diferentes, no combate à covid-19. (fotos: Schirlene Reis/Ascom UFS))
Resultados preliminares apontam para a possibilidade do uso de um ‘mix’ de vacinas, de marcas diferentes, no combate à covid-19. (fotos: Schirlene Reis/Ascom UFS))

Após mais de um mês da aplicação da segunda dose, os pacientes não apresentaram reações adversas consideráveis - o que é, inclusive, algo que não tende a ocorrer. Os pesquisadores vêm então analisando amostras do sangue dos dois pacientes, como explica o coordenador do estudo Lysandro Borges, professor do Departamento de Farmácia da UFS.

“Qual o objetivo disso? Avaliar a presença dos anticorpos neutralizantes, que são formados após o período vacinal, que se dá 14 dias depois da segunda dose. Os anticorpos neutralizantes são importantes para verificar se existe a capacidade de o indivíduo neutralizar o vírus quando este realmente entrar em contato com o organismo”, explica o docente.

Perspectivas da pesquisa

O acompanhamento dos pacientes e a análise das amostras preveem uma duração de três meses, mas o pesquisador relata que o estudo pode trazer boas expectativas.

“Os resultados preliminares que nós demonstramos é que essas pacientes já estão formando os anticorpos neutralizantes e não tiveram efeitos colaterais importantes. Então isso é promissor porque mostra que os dois pacientes reagiram bem à segunda dose de outra marca e estão formando anticorpos neutralizantes”, relata Lysandro.

“É uma pesquisa fundamental, pois vai abrir leques para [que] talvez, no futuro, seja feito esse ‘mix’ de vacinas, essa mistura da primeira dose de uma e da segunda dose de outra”, projeta.

Conclusões sobre a possibilidade de combinação de doses de vacinas contra a covid-19 que envolva a marca Coronavac são relevantes também porque poucos países usam o imunizante. Pelo menos até fevereiro, China, Turquia, Indonésia e Chile, além do Brasil, usavam o produto do laboratório chinês Sinovac.


“É uma pesquisa fundamental, pois vai abrir leques para [que] talvez, no futuro, seja feito esse ‘mix’ de vacinas, essa mistura da primeira dose de uma e da segunda dose de outra”, projeta Lysandro Borges.
“É uma pesquisa fundamental, pois vai abrir leques para [que] talvez, no futuro, seja feito esse ‘mix’ de vacinas, essa mistura da primeira dose de uma e da segunda dose de outra”, projeta Lysandro Borges.

Apesar de indicar perspectivas positivas quanto à combinação das marcas, e ainda que os resultados finais venham a confirmar sua eficácia, a pesquisa lida com uma amostra pequena. O trabalho será relevante para que seus dados estimulem e deem subsídios para estudos mais aprofundados em termos de amostra.

Marcilio Costa
comunica@academico.ufs.br


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